119 - LÁ(R) E DE VOLTA
Onde o lar está
É DO BRASIL!
Acabei de ver as indicações ao Oscar 2025 e fiquei muito feliz de ver que temos 4 indicações para O Agente Secreto (incluindo Melhor Filme e Melhor Ator), e uma para fotografia de Sonhos de Trem! Merecido demais. Estamos na torcida.
Estou de volta! Segura que lá vem mircoisa:
BRASIL!
Eu nem sei por onde começar. Passamos um mês no Brasil e foi doido. Foi muito bom, sempre é, e muito caótico, como também sempre é. Teria tanta coisa pra contar, mas eu vou ser profissional e dividir as memórias em categorias, das quais eu só vou falar, aqui, de algumas. Primeiro, porque essa newsletter é sobre a vida desse que vos escreve, mas mais a vida artística (se bem que, para um artista, a vida real está sempre misturada ao trabalho). Boa parte do que rolou é sobre o Mario Pessoa Física, e essa não vem ao caso a não ser que faça sentido pra newsletter. Se não, viraria um livro. Ou talvez, não, porque eu nem lembro de tudo a essa altura. Falo disso logo abaixo.
A distância ajuda. Isso é uma coisa que aprendi nos últimos anos. Em primeiro lugar, a distância física, geográfica, ajuda em muitos aspectos do meu funcionamento. A distância do tempo, também, porque ajuda a processar e resolver coisas. Pensar no que aconteceu é mais fácil do que lidar com o que está acontecendo. Eu preciso de tempo e espaço para processar as coisas, e muitas vezes, não tinha um ou os dois. Nosso tempo foi muito preenchido de atenção, de presença mesmo: eu gosto e quero estar presente no momento, dedicar minha energia ao que está acontecendo. Eu nunca fui impulsivo, a não ser quando escrevia páginas infinitas do meu diário tentando entender e registrar as coisas da vida.
Falando em diário, eu tinha começado um tipo de diário de viagem digital, anotando anedotas, causos e perrengues pra talvez transformar uma uma HQ d’A Vida Real dos Pinguins, mas lá pelo quarto dia no Brasil eu já tinha perdido a mão e até agora não terminei o relato. Tem dias em branco, tem coisas muito legais que certamente eu já não lembro direito e coisas anotadas que no fim das contas não são combustível para arte, mas são importantes como registro de vivência.
A aventura começou com um problema com os vôos: perdemos a conexão de Brasília a São Paulo e tivemos que ficar lá dois dias e, por isso, perdemos o compromisso de renovar o visto. Tudo se resolveu da forma que foi possível e conseguimos reagendar o visto sem problemas, e ganhamos um dia de turismo na Distrito Federal. Copo meio cheio! (E que venha o processinho!)
Já no interior, participei da última edição do CAF - Campinas Anime Fest, onde fui recebido com muito carinho pelos meus amigos, colegas e leitores. Vendi muito bem e fiquei surpreso, e matei a saudade de um evento onde eu posso falar sobre meu trabalho na minha língua materna.
A estadia foi alternando nosso pouso entre as casas das família, ora aqui, ora ali e nenhum lugar é nosso lugar de fato, apesar de terem sido. Estivemos imersos no funcionamento das casas de outras pessoas e se adaptar ao ritmo deles é necessário.
Vimos tanta gente querida! Comemos muito bem, tomamos cerveja trincando no calor absurdo, brincamos com o sobrinho, fomos até passar uns dias na praia. De novo, muita coisa pra guardar na memória mas que não cabe aqui.
No fim das contas, entendi que estar no Brasil, por enquanto, é estar longe da minha base, do meu lar. Lar é aqui, em Port Jeff, por enquanto. E estamos fazendo o melhor dessa vivência enquanto ela acontece. Presente no momento, ainda, e evitando se deixar levar pelas ansiedades e incertezas. Voltar pra cá é retomar tudo que ficou em stand by por um mês, da vida pessoal ao trabalho, e poder olhar pros meses à frente e realmente poder agir em direção a eles.
A analogia que eu fiz na terapia sobre isso foi comparando com o robozinho aspirador que compramos ano passado (apelidado de Amiguinho em homenagem ao nosso véio de guerra que ficou no Brasil, o Amiguinho Original). Ele tem uma base, de onde sai e pra onde volta quando precisa carregar a bateria, limpar o reservatório e lavar o paninho. Eu estava longe da minha base pra recarregar, mesmo estando em locais familiares e rodeado de afeto. Tem coisas que só a nossa casa resolve, e ficar um mês longe e levado pela correnteza de tudo vai desgastando aos poucos.
Eu precisava voltar pra casa (e, aproveitando a onda poética de 2025, voltar pra mim mesmo). E, hoje, voltar pra casa não é ir pro Brasil, é estar aqui. Agora, aqui, de volta ao lar, já retomamos nossa rotina e começamos o trabalho do ano. Tem muita coisa pra fazer, muita coisa legal que eu vou compartilhando aos poucos por aqui, conforme der e puder.
Pra finalizar: ainda não sabemos quando e se voltamos pro Brasil definitivamente esse ano. Veja bem, esse ano porque o programa do Leitorado da Monica na SBU termina em agosto, mas não sabemos se vai rolar alguma proposta para continuarmos aqui. Então isso fica pra edições futuras.
ENTENDENDO OS RECURSOS IMPOSSÍVEIS DOS QUADRINHOS
Na próxima sexta, darei uma palestra online nas Oficinas de Férias do DÍNAMO ESTÚDIO! Entre vários temas e propostas muito bacanas para artistas e alunos de todos os níveis, este é o meu:
Recursos incríveis e “impossíveis” nas HQs com Mário Cau (Online ao vivo)
Quando: Sexta, 30/01/2026 | 19h às 21h
Duração: 2h | Investimento: R$ 59
Em histórias em quadrinhos, acontece um truque curioso: coisas “impossíveis” viram linguagem.
O som aparece no papel. O tempo dobra. O espaço se organiza em quadros. E a conclusão pode ser construída sem dizer tudo.
Nesta oficina/palestra, Mário Cau apresenta recursos, vocabulário e “gramática” das HQs — e como, ao usar ou quebrar regras, você cria páginas que fogem do senso comum e ganham força narrativa.
O que você vai ver
Como HQs representam som no papel
Como a linguagem organiza tempo e ritmo
Como quadros e composição criam espaço
Como se constrói conclusão e impacto final
Regras, desvios e escolhas que ampliam seu repertório
Para quem é
Para quem desenha, escreve, planeja ou quer entender melhor a linguagem das HQs — do iniciante ao avançado.
Sobre o professor: Mário Cau é quadrinista, ilustrador e arte-educador, com trabalhos autorais e experiência como professor — ótimo pra quem quer entender “por que certas páginas grudam na cabeça”.
ARTE-FINAL NA INKO 2025-2026
A primeira edição do meu curso de Arte-final na INKO foi muito, muito bacana. Estou muito feliz com o resultado e agora quero pegar os feedbacks, anotações e melhorar o curso para a nova turma em 2026. Tivemos grandes conversas sobre o processo criativo, técnica, repertório, estilos, narrativa e muito mais. Agradeço de coração aos meus quatro alunos dessa primeira turma pela confiança e participação: Nil, Bim, Lafaeth e Kalinda.
Aqui está minha ilustração para a coletânea da escola do segundo semestre de 2025. O tema do semestre foi Carnaval de Rua. Primeiro vem o lápis e em seguida minha arte-final. Peguei inspiração no Pierrô e na Colombina e dei uma pitada de Pieces:
Essa coletânea, que traz o trabalho dos alunos do semestre e também de professores, foi financiada no Catarse com mais de 900% da meta e logo estará disponível para compra nos eventos e loja da escola.
O próximo semestre começa logo mais, dia 26, e estou muito empolgado para retomar esse assunto e lapidar o conteúdo para os novos alunos.
Para conhecer a escola, os cursos, os professores e fazer sua pré-matrícula para o segundo semestre (você não paga ainda, mas garante uma vaga quando as matrículas abrirem de fato), vem aqui.
NEGATIVE SPACE 2025 mais uma vez
Ainda sobre o concurso de HQs da Negative Space Comics: fiz um vídeo falando um pouco sobre a história que venceu o primeiro lugar em 2025. Você já sabe, por acompanhar a newsletter, bastante coisa sobre essa HQ, esse concurso e o quanto tudo isso é valioso para mim. Agora eu tentei sintetizar tudo num vídeo de dez minutinhos pra que mais pessoas saibam.
Como o assunto não é novidade para você, já saiu no Youtube. O próximo vem primeiro por aqui.
Assista, comente, curta, divulgue, essascoisatudodeyoutubequevocêjásabecomoé.
Falando nisso, você pode baixar e ler gratuitamente a antologia Negative Space 2025 - e também dos anos anteriores - nesse link.
DA PRANCHETA
Vish, faz MUITO tempo que não mostro desenhos aqui, né? Meu último caderno terminou no ano passado, logo antes de viajar pro Brasil. Levei o caderno novo mas não desenhei uma linha sequer… Só colei adesivos, rótulos, passagens, lembranças. O primeiro desenho rolou só quando voltei pros EUA. Essa página é um amontoado de desenhos de uma personagem que não existe.
Esse caderno novo, o 71º, ainda sem título, foi comprado em uma loja bem bacana em San Francisco. Ele é todo quadriculado em azul claro. Isso é legal e estranho ao mesmo tempo.
Quanto mais tempo eu fico sem desenhar, mais estranho é voltar. É preciso estar conectado com a atividade o tempo todo porque a ferrugem é real, e a inércia também.








